quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Verso de criança






Neila Costa






Logo cedo,
Corre sem enredo
E sem medo,
Pelas linhas do papel.

No casulo,
Lar da imaginação,
Sai o vocábulo
Em conteúdo diverso,
Livre de preceito,
E é sempre o eleito
Por esse universo.

Verso de criança,
De tenra pureza,
Não liga, do poema,
A aparência
Da qual se veste,
- exímia inocência!
De palavra nua,
Sem exigência,
Descalça de tristeza
E violência.

Verso de criança,
Corre como
Um rosto em riso
Sob a chuva!

Verso de criança
São ideias de mel
Que saem em prosa
Pelas linhas do papel.
Corre aos pulos
Como um corcel,
Sob o cuidado
E amor puro,
Que vem do céu
Fazendo-se fiel
Às histórias de cordel.

Verso de criança
É como pirraça
Que vem a tropel,
Pulando com graça,
Da mente para o papel.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Tempo





Neila Costa





Tempo passa a se arrastar
-Sol poente em despedida-
Como se fosse levar
Consigo toda uma vida.

Tempo que tive em meus braços
O tempo da juventude...
Sem rugas e sem cansaços!
Tempo de plena inquietude.

Como a todos é comum,
Do tempo o relógio furta
Nossos anos, um a um...
E nosso viver encurta!

Tempo cheio de trabalhos
Sem tempo para o lazer.
Hoje o tenho aos retalhos
Sem nenhum tempo a perder.

Tempo passa a galopar,
Arrastando nossos sonhos,
E passamos a contar
O tempo que passa... Tristonhos!


Herança






Neila Costa






De tudo,
O que me restou,
Como herança
Foi o ontem...
Cinzelado
Pelas mãos da sina,
Lavado
Com as lágrimas
Da lembrança.
Dobrado,
Engomado
A ferro com esperança...
Guardado
Com naftalinas,
Nas cômodas
Da memória.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Página em branco





Neila Costa






Como página
Em branco,
Cheia de palavras
Silenciosas,
Recolho os pensamentos
E me tranco,
O que pra alma é suplicio!
E comigo,
Tudo o que sinto
Deixo descansar
No calabouço
“Do desejo.”






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