quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sem ti







Neila Costa





Sem ti...


Quando te sinto longe,
Sinto-me tão mal...
Em verdade,
Vejo-te ser surreal
A meditar ao acaso. 

Quando te sinto longe,
Parte de mim sangra
Num tom de estranho vermelho
E a lua, que influencia a noite,
Enche-me de carência tua...
Mas é no quarto, sonolento,
Que o vento traz tua essência
Quando o corpo se acende
E à solidão se rende.

Sobre a cama - em seu relento -
Tua camisa branca exala
Cheiro da tua pele nua,
E me serve de alento...
Sobre a velha cabeceira,
O vento folheia um livro aberto...
Enquanto em meu peito aperto
A tua fotografia...

De repente, deixo pender a cabeça
Sobre o macio travesseiro...
Pobre de mim sem ti!
Sem a sombra do teu colo.

Nesses momentos
Sinto-me flor debruçada sobre o solo.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Só de sacanagem

Publicado às 04/01/2013

Só de Sacanagem
Ana Carolina

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
" - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba."
E eu vou dizer:
"- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal".
E eu direi:
" - Não admito! Minha esperança é imortal!"
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Antes que o futuro amanheça...



Neila Costa








Não vou silenciar as palavras
Que caminham sobre pantufas,
No asfalto quente da vida,
Quando a inspiração camufla
A realidade sofrida...
Não vou dominá-las na pausa
Que caí da vírgula,
Nem no mistério que a reticência
Inspira...
Nem delas suprimir a lágrima
Que se solta do ponto,
Em sinal de sobrevida.
Vou abraçar cada palavra,
Numa provável viagem,
A um mundo sem revolta...
Vou lhes dar as cores
Como escolta
Vou libertá-las...
Soltar suas amarras
Para que encontrem o caminho...
Não vou deixá-las presas
A um pergaminho,
Em jornais de noticias urgentes!
Ouço-as gementes...
Como se o gume da espada da violência
Sobre elas, estivesse cravado.
Ou melhor, seria trancafiá-las,
Mortificá-las em cada exclamação,
Como tantas consciências prisioneiras,
Que, convenientemente,
Se deixam arrastar!?
Ou como tanta gente inconseqüente
Que prefere vê-las na fogueira!?
Melhor expeli-las,
Antes que o futuro amanheça!
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