quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Herança






Neila Costa






De tudo,
O que me restou,
Como herança
Foi o ontem...
Cinzelado
Pelas mãos da sina,
Lavado
Com as lágrimas
Da lembrança.
Dobrado,
Engomado
A ferro com esperança...
Guardado
Com naftalinas,
Nas cômodas
Da memória.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Página em branco





Neila Costa






Como página
Em branco,
Cheia de palavras
Silenciosas,
Recolho os pensamentos
E me tranco,
O que pra alma é suplicio!
E comigo,
Tudo o que sinto
Deixo descansar
No calabouço
“Do desejo.”






quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sem você...



 

Neila Costa


Sem você,
Sou triste
Não sei sonhar,
Fico sem asas
Para voar...

Sem você,
A voz soluça,
Fica o vazio
Que se debruça
Num lar sombrio.

Sem você,
Sou terra
Sem marco,
Sem expectativa...
Sou barco
Que erra,
Sem farol,
Á deriva,
Sem porto
Para ancorar.

Sem você,
Sou jardim
Estéril,
Sem flores,
Sem borboletas,
Sem o canto dos pássaros,
Sem luz
E sem alegria.
Sem você,
A vida é sem graça,
É como o poeta
Sem musa,
E sem poesia
Sem você... Juro,
Eu não saberia
Viver sem te amar.



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Realidade indigesta








Neila Costa






É realidade indigesta,
Em grande parte funesta,
As noticias publicadas
Nos blogs e nos sites.
É sempre alguém metralhado
Num botequim qualquer,
Sem nunca ter imaginado
Que um dia teria esse fim.
Para bandidos pouco importa
A cor, a raça... a riqueza ou a pobreza!
Hoje em dia ninguém escapa
Da cólera desumana.
Até o pobre, com seu mínimo salário,
Não passa desapercebido
Dessas feras marginais.
Para delinquentes tudo é chalaça!
Ai de quem em um assalto
Der “trocados” por pirraça.
Reze para não ser maltratado
Ou receber grave ameaça.
Tem mais: não faça birra,
Nem seja malcriado,
Se não quiser que te matem!
Parece que hoje em dia
A desgraça é natural!
E é assim
Em todo território nacional.
Dos tempos parece o fim!
Coisa do demo! Surreal!
Se alguém é sequestrado,
Sofre estupro, é surrado,
Tem o corpo ou seus pedaços
Largados em matagal.
Se ao contrário, sofre assalto,
Roubam-lhe os pertences e o carro,
Muitas vezes comprado
Com um dinheiro suado.
E ainda tem que agradecer
Sua vida terem poupado.

E tem bandidos de moto
Que assaltam a luz do dia,
Em trânsito engarrafado,
A senhora distraída,
Não importa se feia ou atraente
Que sem noção do perigo
Fala ao telefone e dirige
Com a bolsa no banco da frente.

Sem falar dos apaixonados
Que namoram na praça,
Dentro dos carros,
Que os marginais por graça,
Ameaçam os infortunados!

Além disso,
Se comparar o tiroteio
Entre policia e marginal
Com filme onde há mocinho,
E coisa e tal,
O marginal faz papel
De artista principal!...
Enquanto o policial
Que corre pela cidade,
pelas grandes favelas
Em busca desses facínoras
Para por fim a essas procelas,
São considerados bandidos!...
Poucos sabem que nessa luta
Muitos deles já morreram,
Afinal, o combate é desigual!
Por falta de diferencial:
Salário justo
E arma especial.

Por ironia do destino,
O que é esquisito
Nessa historia toda,
É que ao marginal
Ainda damos um mimo...
Pois somos nos que pagamos
Bem mais do que o mínimo
Que ganha um trabalhador,
Embora não seja nada original,
Para mante-los em cela comum
Ou em cela especial.




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